Os belo-horizontinos estão dispostos a presentear neste Natal. De acordo com pesquisa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), 91,7% dos consumidores da capital mineira planejam comprar algum produto para a data. Para isso, a intenção é desembolsar, em média, R$ 123, por presente. Esse valor representa um crescimento de 11,7% em comparação ao último ano, quando o investimento foi de R$ 110,10 por item. A intenção dos consumidores é adquirir, em média, quatro presentes, totalizando um investimento de R$ 492.
Com essa projeção, a expectativa é que as vendas em torno da data injetem na economia da cidade R$ 2,45 bilhões, um crescimento de 1,24% em comparação ao mesmo período do ano passado.
Na contramão desse resultado, 8,3% dos entrevistados afirmam que não vão comprar nada para a data. Para eles, os motivos que impedem são a pretensão de economizar (35,3%), falta de dinheiro (35,3%), não possui o hábito de presentear (17,6%), não tem ninguém para presentear (5,9%) e estará em viagem (5,9%).
Na lista de presentes, os produtos que ocupam as cinco primeiras posições são roupas – blusa, calça, pijama e lingerie (54,5%); brinquedos – bonecas, carrinhos, pelúcia, jogo de tabuleiro (42,3%); acessórios – bolsas, mochilas e malas (28,6%); calçados (22,8%) e cosméticos – perfumes, hidratantes e maquiagem (19,6%). O gasto médio com os três principais presentes deverá ser de R$ 130,34, para roupas; R$ 125,46, para acessórios; e R$ 108,75, para brinquedos.
Desses, 65,1% dos consumidores entrevistados disseram que vão optar pelo pagamento à vista, demonstrando cautela em relação ao endividamento. Dentre as opções de pagamento à vista, as principais escolhidas pelos belo-horizontinos são cartão de débito (25,9%), à vista no cartão de crédito (18,5%), PIX (12,2%) e dinheiro (8,5%).
Já 34,9% afirmam que vão escolher o pagamento parcelado, com uma média de três parcelas, sendo que as principais formas serão: parcelado no cartão de crédito (32,8%), parcelado no carnê/crediário (1,6%) e parcelado no cartão da própria loja (0,5%).
A pesquisa revela ainda que 97,3% não irão utilizar recursos de terceiros para adquirir os presentes.
De acordo com a pesquisa da CDL/BH, as lojas físicas representam a escolha de 60,2% dos consumidores para realizar as compras de Natal.
Ao serem questionados sobre quais fatores influenciam na hora de fechar o negócio, 63,6% dos entrevistados disseram que bom atendimento e educação dos funcionários é o principal fator. “Cada vez mais as pessoas buscam um atendimento de qualidade. Uma loja onde os colaboradores são gentis e atendem com educação e empatia, certamente terá maior sucesso nas vendas”, afirma o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva.
Outros fatores que influenciam a compra são preço do produto/promoção (39,3%), qualidade do produto (28,6%), desejo da pessoa a ser presenteada (28,2%), localização da loja (24,3%), credibilidade da loja (18,4%), necessidade do presenteado (12,1%), formas e prazos de pagamento (6,3%), sustentabilidade do produto (2,4%), marca/grife do produto (2,4%).
Preço alto é barreira para compra
Com os consumidores cada vez mais atentos ao histórico de preços dos produtos desejados, a alta dos valores é apontada pela pesquisa como o principal fator que pode prejudicar a compra (51%). Os entrevistados também citaram atendimento ruim (44,7%), lojas muito cheias (37,9%), pouca variedade de produtos (17,5%), baixa qualidade dos produtos (12,1%), poucas formas de pagamento (9,7%), acessibilidade/mobilidade (9,2%), juros altos para compras a prazo (8,3%), pouca flexibilidade na negociação (8,3%). Apenas 1,5% dos entrevistados disseram não ter nenhuma dificuldade para realizar as compras. As respostas foram de múltipla escolha.
A pesquisa questionou ainda se no último Natal, os consumidores presentearam alguém e 91,5% disseram que sim e 8,5%, não. Do público que presenteou em 2021, 45,7% afirmam que o presente deste ano terá a mesma faixa de valor do último ano, para 36,4% o preço será maior e para 17,9% será menor.
85% dos belo-horizontinos vão celebrar o Natal.
Segundo o levantamento, 85,4% dos entrevistados afirmam que pretendem realizar alguma comemoração para a data. Os programas mais citados foram:
Ceia de Natal: 54,5%
Almoço de Natal: 36,4%
Os gastos médios de cada comemoração deverão ser de R$ 198,66 para ceia de Natal; R$ 181,45 para almoço de Natal; R$ 258,33 para almoço fora de casa e R$ 250 para jantar fora.
O tradicional amigo-oculto será realizado por 49% dos belo-horizontinos e eles pretendem participar de pelo um. O investimento médio para a brincadeira será de R$ 71,53.
Lojistas estão otimistas com as vendas para o Natal
A CDL/BH também ouviu comerciantes da cidade para saber a expectativa dos empresários com o Natal. A pesquisa da entidade mostra que 62,2% dos entrevistados acreditam que as vendas deste ano serão melhores que as de 2021. Já 29,6% esperam o mesmo volume e 8,2% acham que o desempenho será menor. De forma geral, os comerciantes estão mais otimistas que no último ano, quando apenas 43,5% esperavam vendas melhores. Para atender as demandas da temporada, 42,8% dos lojistas pretendem aumentar o estoque e 53,3% vão manter o mesmo volume. Apenas 3,9% afirmam que vão diminuir.
Estratégias de vendas
Para impulsionar as vendas do período, os lojistas entrevistados afirmam que vão investir, principalmente, em Redes Sociais – 58,2%; Decoração da vitrine e da loja – 49,7%; Atendimento qualificado – 42,8%; Aumentar a variedade de produtos – 32,9%; Investir nas vendas pela internet – 16,8%; Promoções especiais – 13,5%; Campanhas de vendas pelo WhatsApp -11,2%.
Outras estratégias citadas pelos comerciantes foram: ampliar o estoque (3,9%), investir na divulgação da empresa (1,0%), distribuição de flyers/panfletos (0,3%) e indicações (0,3%). Um entrevistado (0,3%) disse que não terá nenhuma estratégia de venda.
Ao serem questionados se irão investir em vendas on-line, 53,9% disseram que sim e 46,1%, que não. Dentre os que irão utilizar a internet para vendas, os principais canais devem ser: WhatsApp (71,3%), Site da empresa (52,4%), Instagram (51,8%), Marketplaces (6,7%), Facebook (1,2%).
Em 2021, 58,5% pretendiam realizar vendas on-line, sendo 68,2% pelo WhatsApp, 61,9% pelo site da empresa, 38,1% pelo Instagram, 11,9% por marketplaces e 0,6% por telefone. Houve uma redução de 4,6 pontos percentuais na proporção de lojistas que pretendem vender online em relação a 2021.
“A economia melhorou, mas o cenário ainda é desafiador. Como entidade que representa o principal gerador do PIB da cidade, entendemos que para aumentar a produção de riquezas, não só de Belo Horizonte, mas do Brasil, são necessárias reformas como a tributária, abertura comercial, melhorias regulatórias, além de responsabilidade fiscal com sustentabilidade da dívida pública e alcance gradual de um superávit primário”, analisa Marcelo de Souza e Silva.
O dirigente destaca ainda que os setores que vêm crescendo no país e na capital mineira são Drogarias e Cosméticos, Vestuários e Calçados, Supermercados, Artigos Diversos e Veículos e Peças.
Desafios
O ambiente econômico para o próximo ano já está no centro das atenções. O mercado aponta que alguns dos desafios para 2023 serão competitividade tributária, reformas estruturais, equilíbrio fiscal, implementação de medidas para tentar compensar possíveis novas despesas, com destaque para a possibilidade de um Auxílio Brasil permanente de R$ 600, otimização do custo do setor público, aumento do investimento em infraestrutura física, social e industrial e impostos.
Para 2023 são esperadas algumas práticas e comportamentos do consumidor que irão influenciar o dia a dia do comércio varejista. Dentre elas estão a experiência “figital”, com ambientes físico e virtual muito alinhados. Os marketplaces ganharão ainda mais força, a personalização do atendimento será essencial, o comércio de bairro será fortalecido, inovação e investimento em novas tecnologias também serão demandadas.
Foram ouvidos 304 empresários da capital mineira. Os participantes foram ouvidos entre os dias 31 de outubro e 14 de novembro de 2022. A margem de erro é de 5,6% e a de confiança é de 95%.
Já a pesquisa com os consumidores da capital mineira ouviu 306 pessoas, entre os dias 3 e 18 de novembro de 2022. A margem de confiança é de 95%, com erro amostral de aproximadamente 5,6%.

