Inflação sobe 0,82% em setembro e supera teto da meta, aponta FIEMG

Inflação acumula 4,58% em 12 meses; habitação lidera as pressões sobre os preços. Foto: Divulgação/Gov.br.

IPCA registra maior alta para o mês desde 2021

A inflação oficial do Brasil acelerou em setembro e registrou a maior alta para o mês desde 2021. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,82%, acima dos 0,48% registrados em setembro de 2025. O resultado interrompeu uma sequência de cinco meses de desaceleração, segundo análise da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,58%, ultrapassando o teto de 4,5% estabelecido para a meta de inflação. Entre os grupos pesquisados, Habitação apresentou a maior variação, com alta de 2,31%. Na sequência, aparecem Transportes (1,75%), Alimentação e bebidas (1,17%), Vestuário (0,71%) e Comunicação (0,64%).

Habitação e transportes pressionam os preços

Para João Gabriel Pio, economista-chefe da FIEMG, o resultado exige atenção porque a pressão inflacionária permanece mesmo diante da perda de ritmo da atividade econômica.

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“A reaceleração do IPCA mostra que o processo de desinflação ainda enfrenta obstáculos importantes. A inflação acima do teto da meta reforça a necessidade de cautela na condução da política monetária”, avalia.

Segundo o economista, a persistência das pressões sobre os preços pode dificultar o retorno da inflação ao objetivo estabelecido pelo Banco Central.

Mercado de trabalho e cenário internacional preocupam

As perspectivas para os próximos meses também incluem riscos de novas pressões inflacionárias. De acordo com a FIEMG, o mercado de trabalho aquecido pode manter os custos com mão de obra elevados, com reflexos nos preços dos serviços e na construção civil.

O Boletim Focus aponta que a mediana das projeções do mercado para a inflação de 2026 chegou a 5,01%, acima do limite superior da meta.

No cenário internacional, os conflitos geopolíticos no Oriente Médio podem afetar a oferta e os preços dos combustíveis e de outros insumos. A redução dos estoques estratégicos de petróleo e uma possível recuperação da demanda global, inclusive na China, também podem elevar os custos de energia, transporte e produtos.

Outro fator de risco é a possibilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade no quarto trimestre de 2026. O fenômeno pode afetar a produção agrícola e pressionar a oferta de alimentos e energia.

Política fiscal pode dificultar controle da inflação

No mercado interno, a FIEMG também chama a atenção para os resultados fiscais e a expansão das políticas de crédito. Caso esses fatores estimulem a demanda e reduzam a eficácia da política monetária, o controle da inflação poderá se tornar mais complexo.

“A sustentabilidade da trajetória de queda da inflação depende da combinação entre uma política monetária eficaz, condições fiscais consistentes e a evolução dos fatores externos”, afirma Pio.

Na avaliação do economista, a persistência das pressões sobre os custos e a demanda pode atrasar o retorno da inflação à meta, prolongando o período de juros elevados. Esse cenário tende a afetar as decisões de consumo das famílias e os investimentos das empresas.

O estudo completo da FIEMG está disponível no Boletim do IPCA de outubro de 2026.

 

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