Mas preço pesa na decisão
Pesquisa da Fecomércio MG mostra que custo, hospedagem e orçamento são fatores decisivos; internet é principal fonte de informação para escolha dos destinos
Sete em cada dez belo-horizontinos interessados em viajar afirmam que viajam menos do que gostariam. É o que mostra uma pesquisa do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG, que avaliou hábitos, preferências e planos de viagem dos moradores da capital.
O preço aparece como um dos principais fatores na escolha do destino. Para 33,6% dos entrevistados, a redução dos valores de hospedagem seria o principal estímulo para optar por um destino dentro de Minas Gerais. Outros 25,9% apontam a oferta de preços menores como fator decisivo.
A pesquisa também revela uma demanda potencial para o turismo mineiro. Nos próximos seis meses, 23,7% dos entrevistados pretendem viajar para municípios de Minas Gerais, enquanto 25,4% planejam visitar outros estados. Outros 42,7% não pretendem viajar no período.
Para a turismóloga da Fecomércio MG, Milena Soares, os dados apontam a existência de uma demanda reprimida e uma oportunidade para os destinos mineiros. Segundo ela, combinar preços acessíveis, experiências diversificadas e comunicação eficiente pode ajudar a transformar a intenção de viajar em viagens efetivamente realizadas.
Sol e praia lideram preferência
Mesmo sem litoral, o turismo de sol e praia é o tipo de viagem preferido dos belo-horizontinos, citado por 42,1% dos entrevistados. Em seguida aparecem visitas a familiares, com 35,5%, e turismo gastronômico, com 19,3%.
Turismo cultural foi mencionado por 15,4% e ecoturismo, por 9,2%. Para a Fecomércio MG, os números mostram que Minas Gerais pode explorar melhor segmentos nos quais possui forte oferta, como gastronomia, cultura, natureza e experiências voltadas para famílias.
Nos últimos 12 meses, 38,9% dos entrevistados fizeram viagens dentro de Minas Gerais, enquanto 29,6% viajaram para outros estados. No comportamento habitual, 53,3% afirmam viajar para municípios mineiros e 35,7% para outros estados.
Orçamento concentra viagens de até R$ 1.621
O orçamento também ajuda a explicar as escolhas dos consumidores. Entre os entrevistados que pretendem viajar, 24,6% estimam gastar entre R$ 811 e R$ 1.621, enquanto 24,1% têm orçamento de até R$ 810. Outros 19,3% pretendem desembolsar entre R$ 1.622 e R$ 3.242.
Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, os dados mostram que o setor precisa considerar a capacidade de consumo das famílias na elaboração de produtos e serviços turísticos.
Além dos preços de hospedagem, 15,5% dos entrevistados afirmam que uma maior diversidade de opções de lazer poderia estimular a escolha de Minas Gerais. Outros 8,6% apontam a necessidade de maior divulgação dos pontos turísticos.
Internet influencia decisão
A pesquisa mostra ainda a força dos canais digitais na escolha do destino. A internet é a principal fonte de informação para 49,5% dos entrevistados. As redes sociais também têm participação relevante: Instagram aparece com 23%, WhatsApp com 19,5% e TikTok com 9,3%.
Parentes e amigos continuam sendo uma fonte importante de informação, citados por 29,6% dos entrevistados.
O comportamento digital, no entanto, não significa que a contratação dos serviços seja feita necessariamente pela internet. Segundo a pesquisa, 41,9% afirmam não comprar serviços turísticos online. Entre os que compram, a hospedagem lidera, com 36,2%, seguida pelo transporte rodoviário, com 31,7%, e pelas passagens aéreas, com 9,3%.
Viagens curtas e planejamento próprio
Oito em cada dez entrevistados, ou 82,2%, afirmam que costumam montar o próprio roteiro de viagem. O planejamento é feito, em geral, com pouca antecedência: 34,5% programam a viagem com até três meses de antecedência e 24,9% com até um mês.
O cônjuge é o principal acompanhante, citado por 33,6%, seguido pelos filhos, com 22,3%. O ônibus ou van aparece como principal meio de transporte, utilizado por 51% dos entrevistados. O carro é citado por 41% e o avião, por 7,2%.
A duração das viagens também tende a ser curta. Para 72,5%, a permanência no destino costuma ser de até uma semana. Feriados e recessos são os períodos preferidos para viajar, com 48,6%, seguidos pelas férias, com 38,5%.
Na avaliação da Fecomércio MG, o perfil favorece destinos que ofereçam experiências completas em poucos dias, combinando gastronomia, cultura, natureza, lazer, compras e outros serviços.
Para o setor turístico, a pesquisa indica que preço, facilidade de planejamento e percepção de valor são fundamentais para conquistar o consumidor. A presença digital também se tornou parte importante da jornada de decisão, já que quase metade dos entrevistados utiliza a internet para pesquisar destinos.
A Fecomércio MG avalia que destinos e empresas podem ampliar a demanda com ofertas para viagens curtas, diferentes faixas de preço, divulgação de experiências e informações claras sobre acesso, hospedagem e atrações.
Por meio do Sesc em Minas, o Sistema Fecomércio MG também oferece opções de turismo e hospitalidade voltadas a quem busca viajar com segurança e preços acessíveis.
Leia também:

